Bônus e piso salarial como indutores da qualidade educacionais são igualmente falácias

Com a provável mudança de governo a partir da votação do processo de impeachment na semana que vem, teremos um novo Presidente que, apesar de ser apenas interino formalmente , deveria governar o Brasil com compromisso e responsabilidade como se fosse cumprir o mandato até dezembro de 2018.

O País encontra-se em uma situação muito difícil sob inúmeros os pontos de vista, principalmente pelo grande contingente de pessoas em situação de estresse econômico, agravado pelo estonteante noticiário político-jurídico-policial, capaz de concorrer em suspense com os melhores programas de entretenimento de ficção, tal é o ritmo e gravidade dos acontecimentos que cercam os 3 níveis do Estado brasileiro.

Entretanto, há questões para além das econômicas, há aspectos estruturais de políticas sociais que, apesar de cozinhar em fogo um pouco mais lento, também precisam ser abordadas em breve, para que o combustível da insatisfação da população com esse Estado comilão, fanfarrão e preguiçoso comece a perder potencial explosivo e funcione como um bom óleo lubrificante das engrenagens do relacionamento eleitor-eleito e cidadão-burocrata. A percepção da população quanto à capacidade do Estado brasileiro em melhorar a sua vida precisa tornar-se muito mais positiva nos próximos meses, para que haja algum apoio às reformas de que o País tanto precisa.

O Vice-Presidente Temer prepara, então, seu plano de governo. Ainda não é público, mas os balõesinhos de ensaio já começaram a flutuar. Para a educação, uma boa notícia: o Governo Federal deverá se preocupar mais com o ensino básico. Embora não seja sua responsabilidade constitucional direta, há o inegável poder indutor da União sobre os demais entes federados, por meio de programas, assistência técnica e recursos. Não sabemos bem o que essa informação ensejará. Aguardemos.

Uma informação mais específica, entretanto, renova a suspeita de que talvez tenhamos mais do mesmo: a ideia de se propor um bônus para professores, como forma de melhorar a qualidade da educação. Um governo que diz que vai se contrapor ao oportunismo político dos anos de governo do Partido dos Trabalhadores deveria fazer propostas mais consistentes. O bônus é tão falácia como mecanismo de indução à melhoria da qualidade da educação quanto a criação do piso salarial do magistério em julho de 2008, quando era Ministro da Educação o hoje Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

A suposição é a mesma: mais dinheiro, mais resultado, ou seja, segundo quem faz esse tipo de proposta, os profissionais da educação seriam bem formados, capazes de dar ótimas aulas, de ensinar bem um currículo rigoroso em escolas com ótima infraestrutura e abundância de material educativo de alta qualidade. Só não fazem isso porque ganham mal.

No Estado de São Paulo existe um programa de bônus desde 2008. Vejam a trejetória da educação no Estado pelas notas da Prova Brasil. Não parece que o Estado de São Paulo esteja fazendo melhor trabalho que o conjunto dos municípios, onde este tipo de mecanismo é mais raro….

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Nem uma coisa, nem outra. Mais salários, fixos ou variáveis, não mudam o cenário caótico em que se desenvolveu a educação no Brasil. Os professores de educação básica, como regra, não aprendem a dar aulas efetivas na faculdade, nem mesmo a dominar o conteúdo que deveriam ensinar. O dia letivo aqui só tem 4 horas, o que resulta em menos de 3 horas de efetiva instrução – de baixa qualidade, com índices de absentismo docente e discente vergonhosos. Lembro que a legislação permite que os alunos passem de ano e recebam diplomas mesmo que faltem a 1/4 das aulas, fora abonos e outros recursos. Os ambientes pedagógicos são frágeis, pobres, com recursos educativos de quinta categoria, além de termos gestão pífia das questões de relacionamento humano nos ambientes escolares. Os alunos brasileiros aprendem muito pouco em relação aos seus pares de países desenvolvidos porque não temos um currículo rigoroso, porque os professores aprendem conteúdo inútil na formação universitária e porque as escolas são ambientes desorganizados e pouco acolhedores, não porque lhes falta salário.

Em que pese o fato que a profissão docente devesse ter muito maior prestígio na sociedade brasileira, este só virá como consequência de uma formação sólida, a ser desempenhada em um abiente educacional estável e propício ao ensino. Não é colocando mais dinheiro na mão dos professores, sem alterar as demais condições, que se colherá os resultados que esparamos. Aliás, não sabemos qual seriam esses resultados, uma vez que nem temos um currículo nacional.

Da mesma forma que o Estado brasileiro precisa urgentemente entrar numa dieta séria, mudar os hábitos glutões de engolir com vinhos caros o dinheiro do contribuinte, começar a fazer exercício e a trabalhar por quem paga suas contas e ter um pouco mais de compostura, a sociedade brasileira precisa se mexer. Precisa ter coragem para encarar uma educação desafiadora, na qual todos têm que trabalhar mais. Não só os professores, mas os alunos e suas familias deverão ter mais compromisso com o aprendizado e com seu futuro. Um governo só é oportunista e desleixado se seus eleitores permitirem.

2 Respostas

  1. moises espirito santo | Responder

    Obrigado Excelência e Equidade!!!

  2. BOA TARDE !  ENQUANTO VOCÊS NÃO ‘MARTELAREM” QUE, OS PROFESSORES RECEBERAM A MESMA PÉSSIMA QUALIDADE DO ENSINO IGUAL A DOS ALUNOS, É FALAR O MESMO DO MESMO. /PROVAS DE HABILITAÇÃO MARCADAS COM XIS, SEM NENHUMA FRASE NO IDIOMA, SEM EXIGÊNCIA DE REDAÇÃO, É MALHAR EM FERRO FRIO. AS CIDADES FORA DAS CAPITAIS, NÃO EXISTEM PARA VOCÊS. ABSURDOS SÃO ADMITIDOS. PROFESSORES QUE FAZEM ORAÇÃO ANTES DA AULA; EDUCAÇÃO FÍSICA, UMA VEZ POR SEMANA, COM PROFESSORES AGRARRADOS AO CELULAR ENVIANDO ZAPS, FAZENDO CHAMADA..  DOS 50 MINUTOS, ELAS JA ENGOLIRAM 20 MINUTOS. PROFESSORAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA, QUE FICAM SENTADAS  NUMA CADEIRA, PREFEITURAS QUE NAO MANDAM MATERIAL PEDAGOGICO; E ISSO NUM ANO DE OLIMPIADAS. PROFESSORAS DE GEOGRAFIA, QUE ESCREVEM OS NOMES DE RIOS, MONTES, etc , COM LETRA MINÚSCULA. /E AINDA DIZEM QUE OS ALUNOS  SÃO MAL EDUCADOS, GRITAM COM OS ALUNOS… PROFESSORAS PARA QUARTA SÉRIE COMO DIRETORAS DE COLÉGIO ( VOTOU GANHOU) , SEM  A MÍNIMA CAPACIDADE, DESCONHECENDO TOTALMENTE AS LEIS. SENHORA, EU VIM DO HEM.NORTE E VI O QUE É HORÁRIO, ENTRADA E SAÍDA. .HIGIENE, ALIMENTACAO  NÃO É NECESSÁRIO IR LONGE, BASTA OUVIR A RÁDIO CBN PARA OUVIR OS ABSURDOS OUVIDOS. É CAIXA SEM O ” I “;”CATUCAR”, QUE MINHA FAMÍLIA PAROU PARA BUSCAR UMA TRADUÇÃO . SE A PRESIDENTE DO BRASIL NÃO SABE FALAR,  CONJUGAR VERBOS… SENHORA ILONA, ACABOU  E NÃO TEM VOLTA. PEÇA A UM PROFESSOR PARA CONJUGAR O VERBO “INTERVIR ” , DESASTRE PURO. EU E MINHA FAMÍLIA FICAMOS ESTARRECIDOS COM O QUE  SE VÊ.  SAÚDE E PAZ !  Wanda

    Enviado por Samsung Mobile

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