Nossos cérebros vão passear lá fora, mas podem não voltar

Reportagem interessante do Jornal O Globo deste domingo sob o título Diploma Estrangeiro mostra o crescimento do número de brasileiros indo para fora do Brasil para cursar programas de graduação.

Segundo a reportagem, quase 247 mil alunos foram estudar fora em 2016. Destes, 63 mil para cursar faculdade, ou seja, obter diploma de curso superior (e não de pós graduação, ou de língua estrangeira, o que ainda bem mais comum). O número de graduandos brasileiros no exterior em 2015 era de 42 mil, ou seja, um crescimento de 54% de uma ano para o outro. O que os especialistas consultados para a matéria disseram é que esse crescimento substancial é que algumas famílias (as que podem pagar, obviamente) estão querendo preparar seus filhos para carreiras globais, colocando-os em instituições de ensino que os preparem para uma competição em nível internacional.

Como eu e a maioria de meus amigos e familiares pensamos assim, ou seja, havendo disponibilidade financeira, iremos preparar nossos filhos em escolas de educação básica que os façam aprender e ralar muito, para que na universidade possam competir por vagas nas melhores universidades do mundo, gostaria de compartilhar com meus leitores porquê.

Teoricamente, nós vivemos em um país continente. Deveríamos ter universidades aqui produzindo muitos cérebros e ainda por cima ser um grande imã de talentos, dispostos a desbravar nosso País, dar bom uso a nossos recursos naturais, desenvolver nossa agricultura, etc.

SÓ QUE NÃO!

Só que as universidades brasileiras são de muito má qualidade, com raríssimas exceções, que, apesar de rankings fofinhos e generosos que colocam algumas poucas delas na primeira ou segunda centena (OMG!!! somos a 6º ou 7º economia do mundo) deles, de forma nenhuma podem ser comparadas com seus pares naturais. Ou seja: a melhor faculdade de medicina de um país do tamanho do Brasil deveria ter muito mais em comum com algumas das melhores universidades do mundo. Mas não. No máximo alguns departamentos, que contam com professores heróis, fazem convênios e pesquisas conjuntas com departamentos análogos em países desenvolvidos.

E porque isso? Falo pela minha experiência. As universidades públicas são extremamente mal administradas, tomadas pelo corporativismo do setor público, transformadas em cabides de emprego para funcionários de baixíssima produtividade e de professores que não fazem nenhum esforço pelo aprendizado de seus alunos.  As instituições privadas, por outro lado, são, na maioria, fábricas de diploma. Elas até adicionam algum conhecimento na cabeça dos alunos, mas em comparação, é quase o mesmo que uma pessoa aprende em uma escola de nível médio e qualidade rala em país desenvolvido.

Preparar aulas? Atualizar bibliografia? Usar a bibliografia que está na ementa de forma produtiva em sala de aula? Fazer aluno estudar muito e depois verificar se ele compreendeu por meio de produção escrita, que é revisada e devolvida para o aluno estudar de novo? Não, nunca! É a resposta mais comum que teremos a essas perguntas se formos fazer um levantamento sério com os alunos.

Pior, os alunos gostam do pacto de mediocridade. Eu finjo que vou à universidade, a sociedade paga nas públicas por meio de custeio ou de bolsas nas privadas e ninguém está nem aí. Quem realmente se preocupa, paga para os filhos ficarem longe das universidades brasileiras, como eu disse, com mínimas exceções, para que seus filhos peguem os melhores, e provavelmente os únicos, empregos que vão sobrar no mundo depois das 4ª Revolução Industrial.

Então o problema é bem grave: além de nossas universidades serem de péssima qualidade, o que tem impacto certeiro na formação de capital humano qualificado para resolver nossos problemas agora e no futuro, quem opta por estudar fora às vezes não volta: ou seja, perdemos o pouco capital humano local para países que o já te, de sobra. Isso se explica por alto capital humano ATRAI alto capital humano, apesar da competição. Quem volta, pega os melhores empregos e se mantém no poder, exatamente como faziam as famílias de maior renda na época do Brasil Colônia. Triste ver como caminhamos pouco na educação, apesar de termos nos auto-enganado muito.

 

MEC citando Sobral x CNE: um arremedo de vontade política sendo atacado pelo corporativismo desavergonhado

É chocante, mas ainda tem gente que, em plena luz do dia e ocupando cargo público, tem coragem de defender a escravatura cognitiva de crianças pobres.

Leiam esta notícia sobre a disputa do MEC com o CNE sobre a alfabetização, cujos destaques mostro a seguir:

Enquanto o MEC só tem coragem suficiente para dizer que o aluno vai estar alfabetizado até o fim do 2º ano do Fundamental, quando seus pares de países desenvolvidos já chegam ao 1º ano (quando estão por volta dos 6 anos) praticamente alfabetizados, apenas consolidando alguns processos, como ler palavras mais longas e desconhecidas e escrever textos usando palavras conhecidas escritas com correspondência fonética, o CNE resolve brincar de fazer oposição ao Governo Temer, jogando para sua própria claque inconformada e usando o interesse das crianças brasileiras como escudo.

Abaixo segue a posição do MEC, declarada por sua Secretária Executiva, Maria Helena Guimarães de Castro.

“Defendemos a alfabetização até o final do 2º ano, quando a criança tem 8 anos. A posição do CNE é diferente, mas por enquanto não há nenhuma decisão tomada.”

Vejam a posição do CNE:

O conselheiro do CNE Cesar Callegari reafirma que ainda não houve deliberação, mas este é um ponto de discordância. “O CNE não deliberou a respeito disso. É um tema que está sendo levantado nas audiências públicas, mas ainda vamos produzir pareceres que vão a voto. O CNE é contrário [à alfabetização no 2º ano], mas não houve deliberação. O assunto está em discussão.”

Como é que é, cara pálida?? O CNE é contrário à alfabetização ser concluída no 2º ano?? Baseado em que tipo de dado, informação, pesquisa??

Bom, eu também sou, mas porque as pesquisas e os dados de avaliação mostram que a maioria das crianças dos países desenvolvidos E AS CRIANÇAS QUE TÊM A SORTE DE MORAR EM SOBRAL, NO SERTÃO DO CEARÁ, APRENDEM, entre os 5 e 6 anos de idade, a decodificar as letras e sílabas, a compreender o que leem, a redigir textos simples e que fazem sentido para elas e seus pares!

Essa posição de deixar para os pobres o rebotalho é a cara da sociedade arcaica brasileira da qual queremos nos livrar. Que o CNE venha defender essa posição com base nos dados e no que se pratica em países desenvolvidos, civilizados e mais igualitários, que é o que a população brasileira quer ser um dia. Dizer que é contra porque os municípios vão reprovar as crianças é um argumento tosco: as crianças são reprovadas porque não sabem ler e, muito menos, escrever, mesmo em séries mais avançadas!

O que o CNE está tentando resguardar é o interesse de sindicatos de professores que não querem níveis mais ambiciosos de desempenho discente, porque isso fará todo mundo trabalhar mais e exporá seu despreparo garantido por escolas de professores que são máquinas de emitir diplomas ou de fazer lavagem cerebral. Com essa posição, o CNE defende também boa parte dos acadêmicos que usam de suas “pesquisas” com rigor metodológico suficiente apenas para sustentar suas posições politico-técnicas e de suas bibliografias mofadas e totalmente ultrapassadas, para garantir que ninguém tenha coragem de se interpor ou desmascarar suas “verdades” com dados empíricos e atualizados.

A matéria reproduz a posição chocante de “especialistas” que dizem:

Está em jogo, segundo especialistas, o embate entre usar os anos do ensino infantil para atividades lúdicas que estimulam os pequenos a reconhecerem sua identidade e se interessarem em aprender sobre o mundo, ou para estimular o aprendizado conteudista, visto por muitos adultos como sinônimo de sucesso profissional.

É só ler as publicações mais recentes sobre como as crianças aprendem e como se ensina educação infantil que se percebe que NÃO EXISTE MAIS A DICOTOMIA brincar x aprender, pois a concepção desta etapa é aprender brincando. O pior é que as pessoas que falam esse tipo de barbaridade usam pele de cordeiro – são modernas e progressistas, só querem limitar o que as crianças POBRES podem aprender para o bem delas. Educação infantil de qualidade custa caro, o dinheiro vai sair da pós graduação e vai para as salas de aula dos pobres: é isso que incomoda. Nada mais…

Que tal esta lista de referências para pelo menos os jornalistas entenderem do que estamos falando?

http://www.edu.gov.on.ca/kindergarten/EL2013ResourceList.pdf

Que tal estre trecho do Programa de Pre-escola de Ontário:

Play is a vehicle for learning and rests at the core of innovation and creativity. It provides opportunities for learning in a context in which children are at their most receptive. Play and academic work are not distinct categories for young children, and learning and doing are also inextricably linked for them. It has long been acknowledged that there is a strong link between play and learning for young children, especially in the areas of problem solving, language acquisition, literacy, and mathematics, as well as the development of social, physical, and emotional skills (NAEYC, 2009; Fullan, 2013; Ontario Ministry of Education, 2014c).

Young children actively explore their environment and the world around them through play. When children are exploring ideas and language, manipulating objects, acting out roles, or experimenting with various materials, they are engaged in learning through play. Play, therefore, has an important role in learning and can be used to further children’s learning in all areas of the Kindergarten program.

Vou entrar para o clube dos pessimistas: não há capital político no Brasil para lutar pela educação de qualidade

No dia 4 de agosto último, a TV Globo exibiu um Globo Repórter sobre educação e superação, contanto casos de como pessoas com perfis absolutamente distintos descobriram para si um mar de possibilidades pessoais e profissionais por meio da educação, para responder à pergunta: até onde a educação pode nos levar?

Eu sempre impliquei com esse tipo de reportagem, que aborda políticas públicas por meio de personagens, porque reforça o caráter individualista da superação pela educação escolar. Esse tipo de herói, que sobrevive e vence sozinho as condições de absurda desigualdade e pobreza no nosso Brasil do séc. XXI, normaliza o “cada um por si”. O País deveria estar se organizando (ou melhor, já estar organizado) para tornar a superação inter-geracional dessas mazelas por meio da educação a regra, jamais a exceção.

Antes de seguir, não posso deixar de fazer um parênteses, pois a superação da D. Alezina e D. Therezinha, personagens idosas do Globo Repórter de sexta, que aprenderam a ler e descobriram seus talentos, começando uma nova vida depois dos 70, 80 anos, mostra que a educação é sim para todos. Todo mundo merece uma educação de qualidade, que, não esqueçamos, é um direito humano universal!

Mas, voltando à edição do Globo Repórter, cuja produção – Assimina Vlahou e  Isabela Assumpção – está de parabéns, o viés fui justamente mostrar o desperdício de talentos e de capital humano pela falta da educação. E aí eles chegaram no único exemplo no Brasil que tornou a alfabetização de todos os alunos uma obsessão: Sobral. A partir da alfabetização, os alunos foram aprendendo cada vez mais e hoje a cidade apresenta o maior Ideb do Brasil nas duas etapas do ensino fundamental. TODAS as escolas de Sobral estão acima do esperado para a Prova Brasil. Infelizmente, por causa da cultura de mediocridade que nos assola, os indicadores nacionais exigem muito pouco dos alunos. Até isso agora Sobral vai inovar: a partir de um novo currículo de ensino fundamental (que meus leitores já conhecem) a nova obsessão vai ser alcançar seus pares em países desenvolvidos.

Mas a questão é que é só em Sobral. Minha tese de doutorado está estudando o caso. Já estou há 3 anos trabalhando em Sobral e estudando seus mecanismos de qualidade e não tem jeito: educação de qualidade é, antes de tudo, uma escolha política. Sem a escolha de enfrentar os interesses contrários, não se implementa nenhum programa, mesmo que já testado em outros lugares – muito menos por longos períodos no tempo. No discurso, todos são a favor de uma educação de alta qualidade. Mas na prática, quando a farinha é pouca, cada um garante seu pirão primeiro. Sindicatos não querem deixar que sejam criados parâmetros de aprendizado para os alunos ou de desempenho para os profissionais da educação. Empregadores de boa parte dos setores econômicos não querem abrir mão de mão-de-obra barata. Há famílias que não estão dispostas a fazer os sacrifícios ilustrados pela reportagem. E há muitos alunos que também sofrem de uma preguiça mental crônica, só que essa é justamente responsabilidade do sistema educacional resolver. Só acha que educação de qualidade é uma prioridade quem está exposto aos ambientes competitivos internacionais. Temos que concordar que é uma parcela mínima da população que realmente conhece o valor de uma educação competitiva e libertadores, mas que não tem, ou não quer usar, capital político.

A questão é que não há vontade política suficiente para resolver essa questão cara, trabalhosa, cujos benefícios não aparecem antes da próxima eleição. Se não damos conta de resolver com seriedade os problemas mais óbvios e urgentes com medo da conta de votos não fechar no próximo pleito, é claro que durante as próximas décadas não vai aparecer ninguém para vencer os interesses contrários aos do Matheus, André, D. Therezinha, personagens do Globo Repórter. Os políticos alinham-se a sindicatos e aos maiores empregadores, pois esses têm capilaridade para lhes conseguir votos, além de verbas para a campanha. Infelizmente, depois da minha tese estou entrando para o clube dos pessimistas. Só respiro otimismo quando vejo as luzinhas de Sobral na estrada da minha janela do Expresso Guanabara…

Respondendo ao Sérgio Chapelin: a educação brasileira vai nos levar até onde os políticos deixarem.

 

Empatando a evolução da educação brasileira….

Comento hoje aqui a notícia da Folha de S. Paulo do dia 14/6/2017 sobre o edital do PNLD- 2019, que prevê a compra de livros para PROFESSORES  da educação infantil e ESTUDANTES e PROFESSORES dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) das escolas públicas federais e as que integram as redes de ensino federal, estaduais, municipais e do Distrito Federal, antes da aprovação final da BNCC.

Gostaria de lembrar um post deste blog, de 8/5/2017, de no qual (sobre uma matéria do Jornalista Fábio Takahashi, da mesma FSP, que mostrava o risco da BNCC enfrentar os problemas vividos na implementação do Common Core no estado de Nova Iorque), eu textualmente escrevi:

“O MEC, agora sob nova gestão, pode lançar mão de mecanismos que estão sob a sua responsabilidade para induzir a qualidade. Esses mecanismos centralizados não estão disponíveis nos EUA e é por isso que declarei no terceiro parágrafo acima que não estamos necessariamente fadados a seguir os passos das experiências negativas de alguns estados dos EUA. O PNLD, as diretrizes nacionais de formação em Pedagogia e nas Licenciaturas, o Enade desses cursos, o concurso nacional de certificação docente (engavetado pelo ancien régime), as Provas Nacionais como ANA e Prova Brasil, além do Enem são exemplos de programa nacionais de caráter indutor de qualidade, mas subutilizados até aqui. A questão é que, como nos EUA, no Brasil há muita gente poderosa contra uma subida de barra substancial, poque ela custa caro, tira poder de subgrupos poderosos e dá muito mais trabalho para escolas e famílias.”

E falei sobre a matéria e o assunto na CBN. Ouçam aqui.

Pois não é que os corporativistas de plantão já começaram a atacar o MEC, na sua tentativa justamente de usar de suas atribuições constitucionais para induzir o avanço da BNCC nas salas de aula brasileiras??

Vejam o que diz a matéria:

O entrave é que o CNE pode mudar o texto. Um dos pontos refere-se, por exemplo, à meta de alfabetização, definida pelo governo atual para o 2º ano. Um grupo de educadores defende manter o ciclo de alfabetização até o 3º ano.

Possíveis alterações serão discutidas em audiências públicas entre julho e setembro. O conselho promete finalizar o processo ainda neste ano.

Presidente da comissão que avalia a base no CNE, Cesar Callegari diz reconhecer a necessidade de o MEC ter livros para o começo de 2019, mas questiona esse formato.

“Considero uma temeridade se referir a uma Base que ainda não existe”, diz. “O documento encaminhado ao CNE sofrerá modificações e aperfeiçoamentos.”

Infelizmente, ainda tem gente que quer manter os filhos – dos outros, dos pobres – na ignorância. É revoltante!

A BNCC (mesmo que com algumas falhas) teve o mérito de incluir na educação infantil a sinalização da obrigatoriedade de se iniciar o processo de alfabetização. Foi incluído um eixo de Oralidade e Escrita, com habilidades que deixam claro (embora não organizem tão bem quanto o currículo de Sobral, por exemplo (e os de UK e Ontário, abaixo) que os alunos podem e devem aprender desde os 4 anos de idade, para iniciar o processo de alfabetização:

Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão.

Inventar brincadeiras cantadas, poemas e canções, criando rimas, aliterações e ritmos.

Escolher e folhear livros, procurando orientar-se por temas e ilustrações e tentando identificar palavras conhecidas.

Recontar histórias ouvidas e planejar coletivamente roteiros de vídeos e de encenações, definindo os contextos, os personagens, a estrutura da história.

Recontar histórias ouvidas para produção de reconto escrito, tendo o professor como escriba.

Produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função social significativa.

Levantar hipóteses sobre gêneros textuais veiculados em portadores conhecidos, recorrendo a estratégias de observação gráfica e de leitura.

Identificar gêneros textuais mais frequentes, recorrendo a estratégias de configuração gráfica do portador e do texto e ilustrações nas páginas.

Levantar hipóteses em relação à linguagem escrita, realizando registros de palavras e textos, por meio de escrita espontânea.

A BNCC, mesmo com algumas falhas estruturais importantes, é sim um salto para a educação brasileira e o PNLD é o meio mais rápido para levá-la para a sala de aula. É o que temos para o momento e não é pouco. Além do currículo de Sobral, se alguém quiser verificar o que os alunos de mesma faixa etária aprendem no Reino Unido, aqui vai o link para o currículo de educação infantil:

http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/20040117082828/dfes.gov.uk/foundationstage/

No qual está previsto, por exemplo:

Speak clearly and audibly with confidence and control and show awareness of the listener, for example by their use of conventions such as greetings, ‘please’ and ‘thank you’

Hear and say initial and final sounds in words, and short vowel sounds within words
Link sounds to letters, naming and sounding the letters of the alphabet.

Use their phonic knowledge to write simple regular words and make phonetically plausible attempts at more complex words.

Retell narratives in the correct sequence, drawing on language patterns of stories
Read a range of familiar and common words and simple sentences independently
Know that print carries meaning and, in English, is read from left to right and top to bottom
Show an understanding of the elements of stories, such as main character, sequence of events, and openings, and how information can be found in non-fiction texts to answer questions about where, who, why and how

Use their phonic knowledge to write simple regular words and make phonetically plausible attempts at more complex words 

Attempt writing for different purposes, using features of different forms such as lists, stories and instructions

Write their own names and other things such as labels and captions and begin to form simple sentences, sometimes using punctuation

E o mesmo para o currículo de educação infantil da Província de Ontário no Canadá, no qual se prevê, por exemplo, que os alunos:

10.1 demonstrate an interest in writing (e.g., choose a variety of writing materials, such as adhesive notes, labels, envelopes, coloured paper, markers, crayons, pencils) and choose to write in a variety of contexts (e.g., draw or record ideas in learning areas)
10.2 demonstrate an awareness that text can convey ideas or messages (e.g., ask the
educator to write out new words for them)

10.3 write simple messages (e.g., a grocery list on unlined paper, a greeting card made
on a computer, labels for a block or sand construction), using a combination of
pictures, symbols, knowledge of the correspondence between letters and sounds (phonics), and familiar words

10.4 use classroom resources to support their writing (e.g., a classroom word wall that
is made up of children’s names, words from simple patterned texts, and words used
repeatedly in shared or interactive writing experiences; signs or charts in the classroom;
picture dictionaries; alphabet cards; books)

11.1 demonstrate an interest in reading (e.g., expect to find meaning in pictures and text; choose to look at reading materials; respond to texts read by the educator team; reread familiar text; confidently make attempts at reading)
11.2 identify personal preferences in reading materials (e.g., choose fiction and non-fiction books, magazines, posters, or computerized interactive texts that they enjoy) in different contexts (e.g., educator team read-alouds, shared experiences in reading books,
independent reading time)

Nesta semana, de 19 a 22/6 de 2017, o Programa de Alfabetização e de Aprendizagem da Idade Certa (respectivamente PAIC e PAIC+) comemoram 10 anos, com grande conquistas a celebrar. Os alunos do Ceará estão se sobressaindo nas avaliações nacionais e estaduais, desde a alfabetização até o final do ensino fundamental. A matriz de referência do SPAECE – Alfa, avaliação padronizada estadual que afere o andamento da avaliação no Estado do Ceará, apresenta os parâmetros da alfabetização no Estado. Os resultados do SPAECE – Alfa evidenciam que, em 2015, todos os municípios cearenses estão alfabetizando plenamente praticamente todas as suas crianças até o 2º ano. Este processo tem início na educação infantil. Não tem conversa, não tem enrolação: é o direito do aluno à frente dos interesses de acadêmicos e sindicalistas. Uma conquista do povo cearense, que está de parabéns!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aprendizado automatizado para facilitar a compreensão e habilidades cognitivas de alta ordem

Quem acompanha este Blog e o Boletim Missão Aluno na CBN sabe que eu critico muito como os educadores brasileiros, de uma maneira geral, lógico (há exceções),  porque eles acham que ensino para ser legal tem que ser solto, espontâneo. A questão é que essa abordagem “solta” tem amplo apoio das famílias e da imprensa. Ela é associada a adjetivos considerados positivos como ludicidade, espontaneidade, diversão na escola, modernidade.

Eu não acho, pelo contrário, discordo abertamente: acho que a atividade de ensino é técnica, para a qual é necessário preparo em ambiente universitário porque a evolução de sua prática depende da pesquisa científica séria e que o aprendizado só ocorre quando é conduzido por meio de atividades pedagógicas intencionalmente planejadas (ordem, progressão), desenhadas (o que o aluno faz e para que) e monitoradas (será que o aluno aprendeu o que eu queria ensinar?)

Eu estudo políticas educacionais, não métodos de ensino, mas de alguma forma, óbvio, esses assuntos estão relacionados. Há políticas que estimulam e facilitam métodos de ensino que funcionam, que já foram estudados, comprovados e melhorados em centros de estudo fora do Brasil (infelizmente nós aqui não acompanhamos essas pesquisas…o interesse está mais na Sociologia “combativa e denunciadora” da educação que na didática), e há políticas que estimulam o que (fora do Brasil já se sabe) não funciona. Normalmente essas políticas no Brasil são as mais populares entre as famílias (e eleitores, sem que sejam eficazes – o que faz delas, populistas)

Nos últimos dias, apenas por coincidência, tive conversas pessoais sobre educação, com amigos e pessoas da família, ou seja, a análise racional das políticas que faço profissionalmente se conectou com o meu emocional, pois estávamos falando sobre exemplos de abordagem pedagógica que funcionam para fazer os alunos aprenderem. Essa conexão é fundamental para manter o alinhamento moral entre o meu objeto de estudo e recomendações e meus interesses pessoais. O que desejo para pessoas com quem tenho conexões emocionais também desejo para as pessoas que não conheço, atendidas no setor público da educação. Infelizmente, a maior parte delas em contextos educacionais muito desfavoráveis em relação aos que estão as pessoas da minha família e relações sociais. Nesses contextos, o cuidado com a estruturação deve ser redobrado.

Mas as mudanças de políticas públicas nessa direção (da estruturação e planejamento) não são populares. Ao contrário.

Vou dar três exemplos de 3 pecados pedagógicos mortais que abundam no contexto brasileiro, pois há amplo respaldo das famílias em deixar correr solto – dá menos trabalho acompanhar a automação de alguns aprendizados. Então é melhor combinarmos que são formas antiguadas e superadas de fazer os alunos aprenderem. A pesquisa educacional e da psicologia cognitiva mostra justamente o contrário.

  1. DECODIFICAÇÃO – A palavra decodificar, ou seja, ler letra a letra, sílaba a sílaba, por partes, para depois conseguir ler uma palavra completa foi banida do ambiente educacional brasileiro. O que foi apenas um equívoco, uma moda passageira, rapidamente refutada pelas pesquisas – ler as palavras inteiras antes de aprender as letras e fonemas – aqui virou lei. Conhecer os fonemas, fazer a correspondência entre fonemas e grafemas (letras ou grupo delas) para depois passar a ler as palavras foi invertido.

Assim, não se alcança a fluência leitora, outro palavrão por aqui. A fluência não é perseguida pelos educadores, sua progressão não é medida e os alunos saem do sistema educacional sem entender o que leem porque não dominam essa fluência leitora. FLUÊNCIA É EXATAMENTE O QUE PERMITE A COMPREENSÃO DO TEXTO LIDO.

2. TABUADA – Aprender a tabuada de cor, para poder fazer conta de cabeça, é outro bicho Papão. A filha de uma amiga, que dá aula particular de recuperação para alunos das melhores escolas de São Paulo, me disse: os alunos vão mal em Matemática porque não sabem fazer as 4 operações de cor! O que ela diz é respaldado pelas pesquisas de como os alunos aprendem. Uma reportagem no jornal inglês The Guardian sobre o assunto traz várias sugestões sobre como motivar as crianças a decorar as tabuadas. Uma delas é o velho bic-bic para adivinhar o futuro das crianças transformado em advinhas de tabuada.

3. DECOREBAS EM GERAL – Decorar alguns conteúdos como poemas, trechos de obras, listas de verbos e dicas para reconhecer os “por + ques” também é super mal visto por educadores ditos modernos. Dou o exemplo da conjugação de verbos irregulares. É muito comum se conjugar errado o Subjuntivo, mesmo no presente, dos verbos irregulares. Por exemplo, por, medir, fazer.

que eu ponha, meça, faça etc.

Para este fim, decorar lista e a conjugação de verbos irregulares, dou uma mãozinha indicando o link:  https://www.conjugacao.com.br/verbos-irregulares-no-portugues/