Arquivos Mensais: novembro \20\UTC 2017

1984 chegou. O que fazer agora?

George Orwell, pseudônimo de Eric Arthur Blair (1903-1950), escreveu seu famoso romance “1984” ao fim da Segunda Guerra. Trata-se da história de um governo autoritário que não só tudo supervisiona, mas que também é capaz de alterar a verdade para fazer com que os cidadãos se sintam à vontade em uma ditadura. O enredo parecia uma simples ficção científica inverossímil à época, mas hoje realmente chegamos à era da verdade virtual, que pode ou não coincidir com o que acontece na realidade, exatamente como é retratado no livro. Finalmente estamos percebendo o que o escritor vislumbrou há 70 anos: que a dependência da vida eletrônica e informatizada tem um lado obscuro, com impacto em todas as áreas de nossas vidas, inclusive na política.

A parte boa nós já aproveitamos no dia a dia e é a que chega mais fácil à nossa atenção.

Os brasileiros ainda estão mais deslumbrados com o piscar dos aparelhinhos e com as facilidade que eles trazem à vida de cada um, do que apavorados com a possibilidade de perderem, voluntariamente, sua liberdade de expressão e de pensamento. Mas já há muita gente no mundo refletindo sobre como lidar com os problemas criados pela existência da internet e dos dispositivos que conectam quase toda a humanidade a ela, minuto a minuto. O mais importante, que é o que gostaria de lembrar hoje, cada click, cada like conecta você, seus alunos e filhos, AOS CONTROLADORES da Internet. Eles são Facebook, Google e Amazon, principalmente, as multinacionais Big Brother da atualidade. Além delas, governos, o seu e o de outros países. O autor do blog que apresento a seguir, John Naughton, mostra na sua Tese #9 que as maiores empresas da internet ficam com tudo o que interessa e que não há espaço para concorrência no mundo dos algoritmos, uma vez que sua utilidade depende justamente do volume concentrado de dados para processamento. Sem a ajuda dos governos, o sistema todo não funciona…

Então, o que diz o blog, cuja leitura atenta recomendo fortemente?

95theses.com.uk é uma iniciativa muito interessante e instrutiva criada pelo Professor John Naughton professor e jornalista, que participa dos projetos Conspiração e Democracia (Conspiracy and Democracy) e Tecnologia e Democracia (Technology and Democracy) da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Assim como Martinho Lutero criou, em 1517, sob a forma de panfletos, as 95 teses que viralizaram pelo mundo de então com a tecnologia inventada por Guthemberg, mudando o curso da história ocidental, o Prof. Naughton criou um blog com 95 teses sobre tecnologia explicando vários aspectos interessantes sobre o tema. Destaco 5 deles para uma primeira reflexão, principalmente relacionada à tecnologia para a educação:

Tese #6 – Os smartphones, além de ser divertidos, são um instrumento de vigilância e controle:

O smartphone é o exemplo mais vívido disponível de como a tecnologia pode ser – simultaneamente – tanto boa quanto ruim, habilitando e desabilitando, inspirando e desiludindo. As capacidades técnicas dos telefones modernos são formidáveis e a engenhosidade dos aplicativos que aproveitam esses recursos são muitas vezes impressionantes. Mas, ao mesmo tempo, os smartphones também são dispositivos de vigilância feitos pelo demônio – máquinas caça-niqueis de bolso, que usam chips de GPS para rastrear todos cada movimento, clique, deslize e agito. E alguns dos aplicativos que funcionam neles são dispositivos feitos sob medida para perseguição, bullying, assédio e roubo – ao ponto que os pais que fornecem smartphones a crianças pequenas deveriam ser processados por negligência.

Tese #8: seu filminho na Netflix contribui para o aquecimento global

No momento (2017), esse ecossistema digital absorve cerca de 7% do consumo mundial de eletricidade. Prevê-se que aumente para 12 por cento até 2020 e deverá crescer anualmente em cerca de 7 por cento até 2030 – o que é o dobro do crescimento antecipado do fornecimento de eletricidade no mesmo período.

[…]

O que podemos fazer para reduzir nossa pegada de carbono online? Reduzir o consumo de filmes on-demand é provavelmente a melhor aposta. O streaming de vídeo é um tremendo driver do uso da nuvem e do tráfego de dados. Ele representou 63% do tráfego global de internet em 2015, e deverá atingir 80% até 2020. Netflix sozinho já representa mais de um terço do tráfego de internet na América do Norte e está se expandindo em todo o mundo.

Tese #10: o modelo de negócios da internet é vender os dados que os usuários entregam de graça para as empresas e elas fazem isso com a ajuda dos governos

Sobre essa tese, leiam a entrevista da Presidente da IBM nas Páginas Amarelas da Veja desta semana (Veja 2557 de 22 de novembro de 2017). Leiam as respostas de Ginni Rometty às perguntas sobre a estratégia da IBM e sua interação com o Governo desde muito tempo.

“É assim que o Google ganha dinheiro. Os dados são coletados pelas corporações como um subproduto do que fazem. As empresas de telefonia fazem isso. As empresas de cartão de crédito o fazem. Os bancos o fazem. E o governo também quer esses dados ” [citando o especialista em segurança Bruce Schneier].

Onde o governo não pode coletar os dados em si, ele conta com as empresas. Às vezes, as empresas os dão de bom grado (embora menos assim desde as revelações de Edward Snowden em 2013). Às vezes elas resistem e precisam ser obrigadas por meios legais. O problema não é apenas que as empresas da Internet deviam cumprir a lei, mas que também precisam de cooperação governamental – por exemplo, afastar o que vêem como leis de proteção de dados excessivamente restritivas.

Tese #19: o técnico é político – as empresas controlam a sua vida e os seus pensamentos!

A ideia de que a indústria de tecnologia existe, de alguma forma, “fora” da sociedade sempre foi uma concepção mal elaborada, mesmo quando a indústria estava em sua infância. Afinal, [essa tecnologia] foi construída nos bastidores do enorme investimento público em tecnologia de defesa, design de chips, redes e pesquisas realizadas em laboratórios corporativos como Bell Labs ou consultorias como a BBN. Mas em uma era em que tornou-se óbvio que o Google e o Facebook, intencionalmente ou não, influenciaram políticas e eleições democráticas, [essa concepção equivocada sobre internet independete] é realmente delirante. Chegamos ao ponto em [que devemos reconhecer que] que quase todas as questões “tecnológicas” criadas pelas cinco empresas gigantes de tecnologia também são um problema político que exige respostas políticas e possivelmente legislativas.

Tese #20: o Facebook não é um espaço público, é uma plataforma controlada por uma multinacional americana

Os usuários da Internet parecem pensar que o Facebook e outras mídias sociais (por exemplo, o Twitter) são como o Speaker’s Corner de Londres – um espaço no Hyde Park de Londres, onde é permitido falar,  debater e discutir publicamente, no qual os oradores podem conversar sobre qualquer assunto, desde que a polícia considere que seus discursos não infringem nenhuma lei.

Na superfície, as plataformas de redes sociais podem parecer assim. Mas não são. Elas são POPS (Privately-Owned Public Spaces) – Espaços Públicos de Propriedade Privada. Os proprietários têm o poder de decidir o que é ou não é permitido, e seus algoritmos determinam quais tipos de fala se disseminam. As revelações sobre o papel do Facebook e do Google nas eleições presidenciais dos EUA de 2016 são chocantes, em parte porque eles mostram como as empresas não usaram esses poderes e, em vez disso, permitiram que suas plataformas fossem “manipuladas” por atores políticos. Então, em vez de imaginar que o Facebook seja um palanquinho de oradores on-line, imagine-o como um shopping center com guardas de segurança preguiçosos e incompetentes.

Bom, e o KIKO? O que este blog sobre política educacional tem a ver com isso?

Há muita gente querendo vender tecnologia para as escolas, principalmente para as escolas públicas, onde estão não só os grandes orçamentos de compras centralizadas pelos governos federal, estaduais e municipais, mas também os alunos e as famílias mais vulneráveis. A maior parte dessas empresas não quer ajudar as crianças a aprender mais, mas apenas ter acesso às bases de dados que esses milhões de consumidores do futuro podem gerar e como elas poderão conhecê-los para poder influenciá-los agora e sempre.

Eu imagino que em alguns anos, a tecnologia também será um instrumento de opressão dos mais vulneráveis e de exacerbação das desigualdades. Já vimos isso depois da Primavera Árabe: os governos controlam as empresas que controlam a internet e também já criam as suas próprias plataformas. Enquanto as pessoas com nível educacional econômico mais alto vão aprender a se proteger das empresas e governos mal intencionados na internet, as com menos informação e recursos tornar-se-ão presas fáceis. Não só entregando todas as suas informações de graça sem saber como serão usadas, mas sendo altamente influenciadas por eles, além de desaprender a fazer muitas coisas importantes com seus cérebros e corpo.

Assim, gostaria de sugerir dois itens para reflexão sobre internet nas escolas, públicas e privadas: o filme Wall-E (Disney, Pixar) que mostra um robozinho que salva a humanidade dessa armadilha de preguiça de fazer e de pensar, que é a internet, dispositivos e aplicativos, e o próprio livro de Orwell, “1984”. São reflexões profundas a respeito do uso da tecnologia contra os próprios seres humanos e são acessíveis aos jovens (se eles souberem ler e tiverem vocabulário). Há ainda “Black Mirror” e “13 Reasons Why”, mas esses estão na Netflix e consomem muita energia para termos acesso a eles!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora a onça vai beber água…

Gostaria de agradecer aos ouvintes do Missão Aluno da CBN, aos leitores do blog e aos que acompanham o meu twitter os comentários super educados e relevantes que enviaram. Vocês me ajudaram a refinar minha opinião sobre a questão da Competência 5 do ENEM, aquela em que o candidato deve “Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos”.

Eu tinha dito que achava melhor eliminar a análise da competência 5 dos critérios de correção da redação. Obviamente não porque seja contra a garantia dos direitos humanos, mas porque acho (mas fui convencida de que é importante tentar consertar) que é muito difícil estabelecer critérios objetivos para a correção desse quesito. Mas, uma vez vencido esse desafio, a existência de uma competência que faça os candidatos  (e também, a sociedade brasileira, dada a penetração que o exame tem nas famílias brasileiras) refletirem sobre um dilema ou questão de política pública nacional pode ser um interessante mecanismo de conscientização social.

Entretanto, quero deixar claro que eu ainda acho que zerar a redação toda por causa de apenas uma das 5 competências é um absurdo. Outro absurdo é o candidato, diferentemente de outros concursos, não poder apresentar recurso contra a sua nota de redação, como costuma ser corriqueiro em outros certames no Brasil. Ver item abaixo do edital de 2017:

15.4 O PARTICIPANTE poderá ter acesso à vista de suas provas de redação, exclusivamente para fins pedagógicos, após divulgação do resultado, em data a ser divulgada na Página do Participante: http://enem.inep.gov.br/participante.

E nem mesmo conseguir ter acesso às várias notas que as 3 instâncias de correção da redação

Vejam aqui esta reclamação de um candidato solicitando à AGU o acesso a todas as suas notas e a AGU explicando na sua decisão que QUALQUER CANDIDATO tem direito a ver todas as suas notas garantido por meio da Lei da Transparência.

Assim, vou expor mais alguns detalhes da questão para mostrar como é urgente resolver o problema da explicitação dos critérios de correção não só desta competência, mas das demais. Assim como seria bom que o INEP divulgasse o gabarito completo das questões objetivas. Isso significa não só divulgar as letras de cada questão, mas a razão pela qual uma alternativa é a melhor entre todas, sem nenhuma sombra de dúvida. Nos concursos, isso normalmente só acontece quando há um recurso, mas deveria ser a regra. Principalmente em uma prova tão amplamente disseminada entre pessoas não técnicas como o ENEM.

Por que o ENEM é um concurso, em cuja classificação está em jogo a vaga em uma entidade de ensino superior, porque essa vaga é um inegável passaporte a uma vida profissional com grau mais alto ou mais baixo de remuneração e satisfação pessoal futura e porque esse passaporte tem um valor mais alto ou mais baixo a depender do prestígio do curso decorrente ao acesso a essa vaga, cada ponto nas provas desse certame têm um valor intrínseco. Haja vista os inúmeros casos de tentativa de fraudar a prova envolvendo valores substanciais na obtenção criminosa de vagas.

Enquanto algumas vagas mais “valiosas” estiveram fora da competição do ENEM, os formadores de opinião não davam muita importância ao valor de cada ponto na prova. Mas agora que parte das vagas de cursos mais concorridos da USP (incluindo Medicina) será selecionada por esse conjunto de provas, pode ser que aumente o interesse por detalhes sobre como as notas são atribuídas e como esses resultados se comportam em relação a várias caraterísticas dos candidatos.

Mesmo que a maior parte das vagas para os cursos de maior “prestígio” ainda seja preenchida pelo tradicional vestibular da FUVEST ou outros vestibulares isolados e até avaliações como o International Baccalaureate, e que as vagas do SISU/ENEM sejam para cotistas, que justamente precisam das cotas para compensar notas potencialmente mais baixas, é inegável que haverá um aumento do fluxo de candidatos mais competitivos, mesmo entre cotistas.

Aliás, vai ser interessante verificar o comportamento das notas desse grupo em relação ao restante do ENEM e qual o perfil socioeconômico dos contemplados – nem todos os potenciais cotistas são necessariamente pobres (em Medicina na USP, as 50 ou 8,6% das vagas para o SISU estão assim distribuídas: 10 para candidatos de ampla concorrência, 25 para candidatos que concluíram ensino médio em escola pública e 15 para candidatos da rede pública que se autodeclararem pretos, pardos e indígenas). Mas a questão é que é possível que aumente a tensão em relação aos critérios de correção em 2018.

Neste post vou continuar a mostrar que há questões sérias a serem melhor analisadas na correção das redações e que a explicitação de seus critérios será uma necessidade (ou uma exigência, se o Judiciário resolver atuar) em breve. O pano de fundo ainda é a celeuma em torno da Competência 5, pois é na correção dessa competência que as dúvidas em relação à correção ficam mais evidentes. Mas em relação aos benefícios de manter uma competência de escrita que exija um certo tipo de opinião e um certo tipo de solução para problemas sociais que o próprio Poder Executivo Federal não consegue resolver, como já disse, estou ficando convencida que talvez seja um dos poucos casos positivos de jabuticaba de política pública brasileira.

SE o INEP conseguir explicitar os critérios de correção e juntar à campanha de informação sobre o certame explicações sobre frases/formulações que não podem ser usadas na redação porque caracterizam ofensa aos direitos humanos, pode significar algo bastante educativo para nossos jovens. Mas o caso exige total transparência daqui para a frente. Até aqui estou ainda achando duas coisas:

a) há sim algum viés ideológico na correção das provas – consultem os guias de redação desde 2012, onde estão exemplos das redações nota 1000, e tirem suas conclusões a respeito das conclusões propostas, que, obviamente, podem não ser unanimidade entre os especialistas de cada área;

b) quem burla essas diretrizes não explícitas e escreve os que os corretores querem ler são os candidatos mais bem informados sobre critérios de correção que não estão disponíveis a todos os candidatos – não estou convencida de que quem tira as notas mais altas na competência 5 sejam grandes protetores de direitos humanos, mas aí já é bem mais difícil de avaliar. É apenas uma especulação, porque a se julgar distribuição das notas, mostrada a seguir, alguém poderia chegar a absurda conclusão de que pessoas pobres são contra os direitos humanos…e que as não pobres, são suas defensoras!

Vamos aos números (são da base de dados de 2015 disponibilizada pelo INEP):

Entre os alunos que compareceram à prova de Linguagens e Códigos em 2015, as notas extremas estão distribuídas conforme a tabela abaixo – percebe-se claramente que a competência que realmente discrimina as notas mais altas é a competência 5, que é também a que mais atribui nota zero (a tabela seguinte apresenta dos dados completos):

Competência 1 Competência 2 Competência 3 Competência 4 Competência 5
Até 40 pontos 2,0% 2,6% 2,8% 2,9% 26,6%
A partir de 160 ponto 16,4% 10,6% 9,7% 13,2% 5,0%
Distribuição dos participantes presentes no ENEM de 2015 pelas notas em cada uma das 5 competências da redação
Contanto apenas alunos com presença na prova de LC
NOTA Competência 1 Competência 2 Competência 3 Competência 4 Competência 5
   Zero      78.445 77.442 79.662 81.950 420.782
     20    2.716     5.487 8.144 239.726
     25                 2         208            231            467
     34                 3               42
     40         30.382         68.886         74.909         74.269       832.632
     50               140               180 1.0650 1.2290      1.030
     60         67.400       133.572       146.661       135.449       757.909
     67           1.183           1.120
     75               16               25             245             291             348
     80       619.727       894.204    1.237.329       920.012    1.268.627
    100       740.737       877.295    1.007.715       918.731       730.059
    120    2.428.674    2.517.014    2.100.502    2.174.894       856.673
    125             151             163             548             475             346
    133           2.164           2.329
    134                 5                 1
    140       732.240       455.010       426.075       565.009       235.529
    150             323             293           1.136             742             376
    160       850.686       466.271       387.610       536.121       192.464
    167             368             275
    175             148             142             120             117             100
    180         55.811         72.290         80.087       108.532         52.598
    200         14.345         59.148         76.181         99.344         35.874
 Total    5.625.540    5.625.540    5.625.540    5.625.540    5.625.540

É importante chamar atenção para as notas que estão fora das faixas de nota explicitadas no guia de correção. Elas estão apontadas na tabela acima em negrito (0-40-80-120-160-200). Repito o que disse no outro post sobre o assunto: qual a diferença entre a nota 180 e 200, por exemplo? O INEP tem que explicar isso. Para o candidato é a diferença entre entrar ou não na vaga de sua escolha. Entre receber o não o seu passaporte para o futuro almejado. Proibir os candidatos de contestarem funcionou até aqui, mas pode ser que não funcione mais.

A distribuição de renda entre os inscritos (podemos assumir que é uma ampla amostra representativa da coorte de jovens interessados no ES) é a seguinte:

Até 5 SM       6.931.492 89,5%
Entre 5 e 10 SM          547.035 7,1%
Mais de 20%            77.363 1,0%

Entretanto, como já é esperado, a distribuição de renda entre os PARTICIPANTES (aqueles que se inscreverem E FIZERAM a prova) que tiram acima de 160 pontos nas competências de redação de 1 a 4 (ou seja, excetuando a 5) é diferente da “população” dos inscritos e mais concentrada nas faixas de renda mais altas. Enquanto na “população geral” dos inscritos há 7,1% de pessoas na faixa entre 5-10 SM, nas notas mais altas há 3x mais, 22,2%. O mesmo para os 1% vs. 5,9% da faixa acima de 20SM, só que 6x mais:

Até 5 SM           190.765 59,9%
Entre 5 e 10 SM             70.587 22,2%
Mais de 20%             18.824 5,9%

E a distribuição de renda dos que tiraram nota 160 ou maior na competência 5 é a seguinte. Cai um pouco a discrepância na distribuição da renda, mas SÃO MUITO MENOS PESSOAS com nota acima de 160 na competência 5 (quase 1M na competência 1 e menos de 300 mil na competência 5). Da mesma forma, o número de zeros nas competência de 1-4 gira em torno de 80 mil, mas é de 420 mil na competência 5. É óbvio que os alunos estão sendo penalizados nesse quesito!! Esses dados estão na tabela detalhada acima.

Até 5 SM       177.895 62,9%
Entre 5 e 10 SM         58.109 20,5%
Mais de 20%         15.442 5,5%

E, para finalizar meu argumento, a tabela abaixo mostra a distribuição da renda dos candidatos que tiveram nota zerada na competência 5 apesar de terem tirado nota acima de 160 nas demais competências. Das duas uma: ou chegamos à conclusão que os mais pobres são contra os direitos humanos, o que me parece absurdo, ou à conclusão de que uma competência mal formulada e mal avaliada penaliza aqueles que não têm acesso às informações privilegiadas, apesar de conseguirem fazer uma boa redação, que é a minha hipótese.

Total        2.163 100,0%
Até 5 SM        1.646 76,1%
Entre 5 e 10 SM           340 15,7%
Mais de 20 SM             43 2,0%

É preciso conhecer melhor os critérios de correção das redações do ENEM e melhorá-los

Com o tema dos critérios de correção da redação do ENEM finalmente entrando no debate público, depois de anos simplesmente sendo naturalizados pelas autoridades educacionais brasileiras e ignorados pelos interessados, é hora de esclarecer alguns pontos.

Sabemos que o Brasil é um país cheio de absurdos. Deixar que as vagas da educação superior sejam preenchidas levando em conta a opinião do candidato sobre um tema da atualidade é apenas mais um. Mas, parece que chegou a hora de abrir a janela para deixar o sol entrar e arejar as ideias.

Vejam, não é apenas o acesso a vagas universitárias que os participantes arriscam quando expõem sua opinião em uma redação, de acordo com os editais do certame, o mais recente deles publicado em 7/4/2017 no DOU, os resultados do ENEM servem a múltiplos propósitos, entre eles, arranjar emprego:

1.8 Os resultados do Enem deverão possibilitar:
1.8.1 a constituição de parâmetros para a autoavaliação do
PARTICIPANTE, com vistas à continuidade de sua formação e a sua
inserção no mercado de trabalho;
1.8.2 a criação de referência nacional para o aperfeiçoamento
dos currículos do Ensino Médio;
1.8.3 a utilização do Exame como mecanismo único, alternativo
ou complementar para acesso à educação superior, especialmente
a ofertada pelas Instituições Federais de Educação Superior;
1.8.4 o acesso a programas governamentais de financiamento
ou o apoio ao estudante da educação superior;
1.8.5 a sua utilização como instrumento de seleção para
ingresso nos diferentes setores do mundo do trabalho;
1.8.6 o desenvolvimento de estudos e indicadores sobre a
educação brasileira.
1.9 Facultar-se-á a utilização dos resultados individuais do
Enem como mecanismo de acesso à Educação Superior ou em processos
de seleção nos diferentes setores do mundo do trabalho.

É só ler as redações nota 1000 publicadas nos guias de redação do ENEM (2016, 2017, por exemplo) para perceber que não apenas a questão de afrontar ou não os direitos humanos que é valorizada, mas também as apresentação de soluções populares e superficiais para problemas da atualidade, como não poderia deixar de ser para a forma como a situação toda é estruturada. Afinal, são apenas alunos de 17/18 egressos da educação básica e não especialistas em políticas públicas, a fazer as provas.

Faculdades mais competitivas começam a usar o IB como opção ao ENEM. É só comparar as mobilizações cognitivas entre uma e outra avaliação para perceber por quê. Ao final deste post, há uma menção ao SAT. A citação tem o objetivo de mostrar aos leitores que há alternativa à jabuticaba de acesso ao ensino superior no Brasil, que é a Competência 5 da redação.

O argumento utilizado até por representantes do MEC e Inep para manter as coisas como são hoje, dizendo que os critérios de correção são os mesmos há muitos anos, é puro desrespeito intelectual frente a um questionamento absolutamente legítimo e relevante, mesmo que as autoridades educacionais brasileiras não concordem com os infinitos palpites sobre o tema que vem sendo dados sobre o assunto, inclusive este aqui. Mas que o assunto precisa ser melhor analisado, precisa.

Vamos à minha análise:

Os critérios são tão imprecisos, que são necessários 2, 3 e até uma banca de corretores para dar as notas da redação. Tudo isso às custas do contribuinte. O ENEM é uma política  pública sensacional, mas o fato de os critérios de correção da redação não serem claros, deixa a sua correção bastante frágil. Só não há uma confusão geral causada pelo assunto porque o Governo Federal não permite que as notas das redações sejam contestadas e também porque reina a mais absoluta ignorância sobre a importância de critérios transparentes de correção de atividades, conhecidos e disseminados em inglês pelo nome de rubrics.

Mas se alguém se aventurar a entender um pouco mais sobre a distribuição das notas, vai perceber que só teríamos a ganhar com critérios mais claros. A tabela a seguir apresenta o status da redação de 2015, segundo a correção. Vemos que quase 10 mil redações forma anuladas pela questão quente do momento – o desrespeito aos direitos humanos NO PAPEL. O que chama atenção mesmo é ver que 1/3 das redações foram entregues em branco – é um perfil interessante a se estudar (porque uma pessoa se inscreve, faz a prova e entrega a redação em branco, por exemplo) -, mas que não vem ao caso diretamente agora. O que temos é que 5,5 milhões de redações estavam aptas a serem corrigidas em 2015, conforme mostra a tabela a seguir.

Status da redação 2015  N %
Sem problemas   5.548.135,00 71,6%
Anulada         2.222,00 0,0%
Cópia Texto Motivador         6.092,00 0,1%
Em Branco   2.145.286,00 27,7%
Fere Direitos Humanos         9.936,00 0,1%
Fuga ao tema       20.765,00 0,3%
Não atendimento ao tipo         6.644,00 0,1%
Texto insuficiente         3.516,00 0,0%
Parte desconectada         2.078,00 0,0%
Não atendimento ao item 2.2.5 do edital do exame.         1.435,00 0,0%
 Total   7.746.109,00 100,0%

Vamos às categorias de análise para a correção:

Competência 1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.
Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto
dissertativo-argumentativo em prosa.
Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Como as redações são corrigidas?

Critérios de correção da Competência 1:

200 pontos – Demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita serão aceitos somente como excepcionalidade e quando não caracterizarem reincidência.
160 pontos – Demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita.
120 pontos – Demonstra domínio mediano da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita.
80 pontos – Demonstra domínio insuficiente da modalidade escrita formal da língua portuguesa, com muitos desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita.
40 pontos – Demonstra domínio precário da modalidade escrita formal da língua portuguesa, de forma sistemática, com diversificados e frequentes desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita.
0 ponto – Demonstra desconhecimento da modalidade escrita formal da língua portuguesa. (vejam porque é importante estudar quem são e o que escrevem os milhões de participantes que zeram esta competência)

As notas da COMPETÊNCIA 1 estão distribuídas das seguinte forma (em 2015):

 Distribuição percentual  Percentual acumulado
 Nota Competencia 1  com zero  sem zero  com zero  sem zero
        –                 2.196.253 28,4%   28,4%  
        20                        2.717 0,0% 0,05% 28,4% 0,05%
        25                              2 0,0% 0,00% 28,4% 0,05%
        34                              3 0,0% 0,00% 28,4% 0,05%
        40                      30.406 0,4% 0,55% 28,8% 0,60%
        50                            14 0,0% 0,00% 28,8% 0,60%
        60                      67.431 0,9% 1,22% 29,7% 1,81%
        67                        1.183 0,0% 0,02% 29,7% 1,83%
        75                            16 0,0% 0,00% 29,7% 1,83%
        80                    619.880 8,0% 11,17% 37,7% 13,01%
      100                    740.927 9,6% 13,35% 47,2% 26,36%
 Entre 100-120 40,9% 57,14%
      120                 2.429.231 31,4% 43,78% 78,6% 70,14%
      125                          151 0,0% 0,00% 78,6% 70,14%
      133                        2.164 0,0% 0,04% 78,6% 70,18%
      134                              5 0,0% 0,00% 78,6% 70,18%
      140                    732.393 9,5% 13,20% 88,1% 83,38%
      150                          323 0,0% 0,01% 88,1% 83,39%
      160                    850.948 11,0% 15,34% 99,1% 98,73%
      167                          368 0,0% 0,01% 99,1% 98,73%
      175                          148 0,0% 0,00% 99,1% 98,74%
      180                      55.825 0,7% 1,01% 99,8% 99,74%
      200                      14.348 0,2% 0,26% 100,0% 100,00%
 Total                 7.744.736
 Total sem os zeros                 5.548.483

Afora os 28,4% de zeros, que podem ser explicados por razões para além dos critérios, há fatos interessantes na distribuição das notas. São 6 faixas de notas (0, 40, 80, 120, 160, 200), de onde saem os critérios para atribuir as demais 18 notas atribuídas aos alunos – 25, 34, 67, por exemplo?

Quantos erros de ortografia, concordância e pontuação cometeram os que tiraram cada uma das faixas?? Bastava uma escala de correção e já teríamos infinitamente mais clareza nessa categoria.

Outro ponto que notamos ao analisar a distribuição das notas e que é até esperado (mas não moralmente aceitável), dada a má qualidade da instrução no Brasil, é que a maior parte das notas estivesse abaixo dos 50% de acerto (nota 100, que não existe na escala de notas, apenas os corretores sabem o que diferencia 100 das outras notas imediatamente contíguas da escala, 80 – insuficiente – e 120 – mediano).

Tirando os zeros, apenas 16% dos participantes tiraram 160 ou mais pontos na Competência 1, que indica seu domínio das regras de Gramática, depois de concluir a educação básica, isso sim é que é respeito ao direito à educação…

Mas ainda tem mais.

O problema da falta de clareza dos critérios ficou mais óbvio para a COMPETÊNCIA 5, que é muito questionável para os objetivos do certame – ranquear alunos para acesso a vagas. Como podemos julgar a capacidade de alunos de 17/18 anos proporem soluções para problemas complexos da atualidade, se nem os técnicos do governo e os políticos conseguem resolvê-los? É uma daquelas enganações fofinhas que todo mundo engole feliz. Mas que custam caro a quem não conhece bem as nuances das regras do jogo, principalmente para aqueles que não têm acesso a um professor de cursinho que lhe ensine os macetes. Sim, porque de uma redação de 3/4 parágrafos de uma pessoa que está concluindo o ensino médio só vai sair macete mesmo. Solução para os problemas e dilemas do Brasil e da humanidade é que não sai.

Basta lermos as redações nota 1000 selecionadas nos sucessivos guias de redação e vemos que é isso mesmo: “o governo deveria resolver”, “tem que ter campanha de esclarecimento”, “tem que colocar o tema no currículo das escolas” e assim vai: lugar comum em cima de lugar comum, mas parece que isso é o que os corretores consideram respeito aos direitos humanos.

A COMPETÊNCIA 5, mesmo tendo esse vício de origem, apresenta uma distribuição de notas “normal” (do ponto de vista estatístico), quando retiramos as notas = 0, o que seria esperado, se a correção respeitasse as faixas de notas propostas. De novo, apesar de não sabermos o que diferencia 80 – insuficiente – de 120 – mediana -, 20 pontos em uma redação (ou seja, receber uma nota 100, por exemplo) podem fazer a diferença entre entrar ou não em uma instituição de ensino mais concorrida.

Vejamos os critérios de atribuição de notas para a Competência 5:

200 pontos – Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.
160 pontos – Elabora bem proposta de intervenção, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.
120 pontos – Elabora de forma mediana proposta de intervenção, relacionada ao tema e
articulada à discussão desenvolvida no texto.
80 pontos – Elabora de forma insuficiente proposta de intervenção, relacionada ao tema ou não articulada à discussão desenvolvida no texto.
40 pontos – Apresenta proposta de intervenção vaga, precária ou relacionada apenas ao
assunto.
0 ponto – Não apresenta proposta de intervenção ou apresenta proposta não relacionada ao tema ou ao assunto.

E agora a distribuição das notas em 2015, reparemos a concentração de notas nas pontuações mais baixas e em notas que não estão na escala.

 Distribuição percentual  Percentual acumulado
Nota Competência 5  com zero  sem zero  com zero  sem zero
                         –     2.538.692,00 32,8%   32,8%  
                    20,00     239.812,00 3,1% 4,61% 35,9% 4,61%
                    25,00            467,00 0,0% 0,01% 35,9% 4,62%
                    40,00     832.838,00 10,8% 16,00% 46,6% 20,61%
                    50,00         1.030,00 0,0% 0,02% 46,6% 20,63%
                    60,00     758.048,00 9,8% 14,56% 56,4% 35,19%
                    75,00            348,00 0,0% 0,01% 56,4% 35,20%
                    80,00   1.268.909,00 16,4% 24,37% 72,8% 59,57%
                  100,00     730.218,00 9,4% 14,03% 82,3% 73,60%
 Entre 100-120 20,5% 30,49%
                  120,00     856.895,00 11,1% 16,46% 93,3% 90,1%
                  125,00            346,00 0,0% 0,01% 93,3% 90,1%
                  140,00     235.614,00 3,0% 4,53% 96,4% 94,6%
                  150,00            376,00 0,0% 0,01% 96,4% 94,6%
                  160,00     192.534,00 2,5% 3,70% 98,9% 98,3%
                  175,00            100,00 0,0% 0,00% 98,9% 98,3%
                  180,00       52.614,00 0,7% 1,01% 99,5% 99,3%
                  200,00       35.895,00 0,5% 0,69% 100,0% 100,0%
  7.744.736,00 100,0%
     5.206.044,00 100,0%

Agora um outro exercício – vamos comparar a distribuição das notas acima de 160 pontos nas duas competências, a 1, que avalia se o aluno domina as regras de Gramática e a 5, que avalia se o aluno é um bom propositor de políticas públicas.

Claramente, pela correção de 2015, temos muito mais alunos que dominam as regras de Gramática (acima de 160 = 923.185 participantes), do que alunos capazes de propor políticas ou soluções para problemas brasileiros (acima de 160 = 282.785 participantes). E para concluir essa minha argumentação de que a Competência 5 deveria ser reformulada ou simplesmente retirada (eu estou convicta de que as demais dão conta do recado – ranquear os alunos para acesso ao ensino superior), vejam o seguinte:

Na “população ENEM 2015”, ou seja daqueles participantes do ENEM 2015, cujos microdados estão disponíveis no site do Inep, apenas 3,4% declaram ter renda acima de 10 SM. No entanto, para a COMPETÊNCIA 1, o contingente de participantes que tirou nota acima de 160 pontos e que declarou renda acima de 10 SM foi de 11,6% e para a COMPETÊNCIA 5, esse mesmo contingente foi de 16,5%. Então, uma possível conclusão é que não apenas as notas mais altas são conquistadas muito mais pelos não pobres (o que já é esperado, embora imoral), mas a COMPETÊNCIA 5 discrimina ainda mais os alunos pela renda. Ou seja, quem tem mais acesso a macetes sobre como escrever generalidades para agradar aos corretores, em geral por meio dos professores de cursinho, tem mais chance de entrar nas universidades mais competitivas. Estamos atrás do mérito na seleção ao ensino superior? Sim, é justo que estejamos. Mas é EXATAMENTE pela complexidade e capacidade discricionária da redação é que os critérios que a compõem deveriam ser mais claros, para que TODOS os que queiram prestar a prova possam se preparar para ela se acordo e para que o sistema educacional absorva os critérios de produção textual argumentativa competente em seus currículos. Se a competência 5 cair, ficam ainda a Gramática, a capacidade de argumentar, de organizar informações para compor um texto e de usar as estruturas textuais típicas do gênero, que são as outras competências avaliadas.

É possível fazer isso? Vamos olhar para fora?

Uma das mudanças que o ENEM deveria fazer seria usar o mesmo critério de estrutura do exame SAT americano, equivalente ao ENEM em objetivos para acesso ao ensino superior. A ideia é a mesma: avaliar se e quanto um candidato a uma vaga em uma universidade é capaz de escrever um texto argumentativo. Só que o College Board, que organiza a prova nos EUA não é tão ambicioso com a capacidade dos candidatos quanto o nosso MEC, que acha que um aluno de 17/18 anos pode sugerir soluções para problemas complexos brasileiros em uma canetada de 30 linhas. Na redação do SAT, os participantes precisam analisar um texto de aproximadamente 5000 toques, ou duas páginas, no que se refere aos argumentos de seu autor (do texto proposto) sobre um tema da atualidade, por meio de uma redação de 3/4 parágrafos (como a do ENEM).

Assim, o alunos não têm que emitir uma opinião eles mesmos sobre um tema, quer politicamente correta ou não. O candidato a uma vaga na universidade nos EUA precisa avaliar a capacidade de um autor em defender uma opinião (dele) e explicar porque, com base no que está contido NO TEXTO que faz parte das prova,  E NÃO NAS DICAS QUE RECEBEU DE SEU PROFESSOR DE CURSINHO, ou mesmo na sorte de conhecer um tema melhor que os outros. É de se supor que haja menos penalização de alunos com nível sócio-econômico mais baixo, pois o conteúdo é dado. O participante precisa demonstrar apenas a sua capacidade de análise, organização de ideias, construção textual e Gramática, exatamente as outras competências que o ENEM já avalia…

São os seguintes os critérios de correção da redação do SAT:

Leitura: uma redação competente mostra que você entendeu a passagem, incluindo a interação de idéias centrais e detalhes relevantes. Também mostra um uso efetivo das evidências textuais.

Análise: uma redação competente mostra sua compreensão de como o autor constrói um argumento, examinando o uso que o autor faz de provas, raciocínio e outras técnicas estilísticas e persuasivas e fundamentando suas explanações sobre o texto e as escolhas do autor com evidências textuais pertinentes a partir da passagem apresentada

Escrita: uma redação competente é focada, organizada e precisa, com estilo e tom apropriado que usam estruturas variadas de orações e que respeitam as convenções do inglês formal.