A OCDE e nós: a importância de lermos os relatórios e entrarmos de vez no clube

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico foi criada depois da Segunda Guerra para operar o plano de reconstrução dos países envolvidos, o Plano Marshall. De lá para cá, a instituição se consolidou com uma agência de estudos e regulação para promover o desenvolvimento econômico sustentável de seus países membros.

Adicionalmente, vem recebendo como países-membros muitas nações que nem fizeram parte do Plano Marshall, mas que desejam não só beber da mesma fonte de análise e planejamento, mas se adequar ao seu estatuto, que exige uma série de adequações de seus governos, inclusive em relação ao combate ostensivo à corrupção.

Aqui no Brasil, apesar dos convites e de toda a disposição de sua cúpula para que passemos a ser um país membro, optamos recorrentemente por ficar de fora. E não só isso, ficamos de fora e na área da educação, nos recusamos a entender o que dizem os relatórios, não estudamos o Pisa e (vergonha alheia máxima) falamos mal dele sem nem o menor conhecimento de causa.

Desde que o Brasil começou a participar do Pisa nos ano 2000, seus relatórios têm sido solenemente ignorados pelo Ministério da Educação, a não ser quando saem os rankings do Pisa ou outro relatório qualquer da instituição que aponte nossa incompetência educacional, como foi o caso da mais recente edição do Education at a Glance.

Depois de noticiar os rankings, a imprensa tem mais o que fazer e Ministério  e Secretarias da Educação vão cuidar das suas vidas. Acontece que esses relatórios existem exatamente para excitar o debate em torno de desenhos e impactos de políticas públicas educacionais. Nosso governo federal não se dá ao trabalho de traduzir e divulgar esses importantes documentos, assim como alguns dos relatórios da Unesco que seriam fundamentais para acelerar a compreensão de alguns fenômenos de política educacional, tão importantes para fazer o setor andar para a frente.

Pior ainda que o governo, que não quer colocar holofotes em suas mazelas, são as faculdades de educação, que formam docentes e gestores educacionais. Elas não só ignoram o Pisa, como se metem a falar mal dele, sem um pingo de conhecimento técnico do que eles informam e muito menos sem a menor qualificação para debatê-los à seria.

Então, sobra para nós, daqui do Blog e do Missão Aluno da CBN fazer algumas análises um pouco mais detalhadas, dentro do que está ao nosso parco alcance.

O relatório mostra algumas tendências da educação no mundo:

A educação vem se expandindo como um todo no mundo: tanto aumentam as matrículas no ensino superior, quanto a inclusão das crianças a partir dos 5 anos na educação infantil. Mas a novidade na tendência é que os países estão procurando dividir mais os custos da educação superior com as famílias para concentrar no ensino básico obrigatório – essa etapa continua como obrigação dos governos, enquanto que, cada vez menos, a etapa dos jovens adultos fica apenas na conta do governo.

A força de trabalho dos docentes está envelhecendo de maneira geral porque a profissão atrai cada vez menos candidatos jovens, o que parece serum contrassenso em um mercado que parece estar em firme expansão, não só de matrículas como de gastos!

Apesar de haver mais mulheres com diplomas de ensino superior que homens, elas continuam escolhendo carreiras em áreas como educação e saúde, dedicando-se menos que os homens às ciências e engenharia. Outra tendência interessante que o relatório traz é que há menos desemprego nos países onde os jovens estão mais expostos a cursos técnicos no ensino secundário do que naqueles, COMO NO  BRASIL, os jovens estudam em escolas de ensino generalista e propedêutico.

Algumas metas com as quais a gente deveria se comprometer e incorporar ao nosso PNE:

O relatório traz as metas para cada um dos parâmetros considerados chave para que a força de trabalho (foco da OCDE) se torne cada vez mais apta a conduzir o desenvolvimento econômico sustentável. Chamo atenção apenas para as de qualidade de ensino, nossa principal bandeira aqui do  Missão Aluno.

Até 2030 todos os meninos e meninas de 15 anos devem completar o ensino secundário, com 80% deles chegando, no mínimo, ao nível 2 do Pisa. O relatório aponta que ainda é preciso desenvolver uma escala de aprendizado para o fim da educação primária para garantir que a comparação não fica apenas para o fim da escolarização obrigatória e indiferenciada.

Até 2030, 50% dos adultos com capacidade de compreensão leitora no Nível 3 do Pisa. Essa questão é fundamental de ser compreendida pelos brasileiros, para que façam pressão nas autoridades brasileiras. O Nível 3 do Pisa requer capacidade de compreensão de textos muito mais complexos e com análise de elementos muito mais elaborada do que exigimos tanto nas escolas quanto em média nas universidades. É absolutamente urgente subirmos a a nossa barra de exigência!!

O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) desenvolvido e publicado pelo Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa, mostra que mesmo pessoas com formação em nível universitário não necessariamente dominam a compreensão leitora. Apesar de 62% são considerados plenamente alfabetizados, os critérios são diferentes do Nível 3 do Pisa, tanto em linguagem, quanto em Matemática. Isso nos aponta para o fato de que precisamos mudar nossos parâmetros de avaliação, pois os atuais, apesar do baixo desempenho, estão nos auto-enganando!

A seguir está o resumo do que o Inaf usa como parâmetro para fazer as suas avaliações, que não é diferente do que o próprio Governo brasileiro faz. É o Governo Brasileiro que precisa ir atrás da OCDE!! Essa decisão está mais que atrasada. A OCDE pode nos ajudar muito a encontrar a tal educação padrão FIFA que pedimos nas ruas em 2013.

Alfabetizados em Nível pleno: pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar textos usuais: leem textos mais longos, analisam e relacionam suas partes, comparam e avaliam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

 

 

 

 

 

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