Aprendizado automatizado para facilitar a compreensão e habilidades cognitivas de alta ordem

Quem acompanha este Blog e o Boletim Missão Aluno na CBN sabe que eu critico muito como os educadores brasileiros, de uma maneira geral, lógico (há exceções),  porque eles acham que ensino para ser legal tem que ser solto, espontâneo. A questão é que essa abordagem “solta” tem amplo apoio das famílias e da imprensa. Ela é associada a adjetivos considerados positivos como ludicidade, espontaneidade, diversão na escola, modernidade.

Eu não acho, pelo contrário, discordo abertamente: acho que a atividade de ensino é técnica, para a qual é necessário preparo em ambiente universitário porque a evolução de sua prática depende da pesquisa científica séria e que o aprendizado só ocorre quando é conduzido por meio de atividades pedagógicas intencionalmente planejadas (ordem, progressão), desenhadas (o que o aluno faz e para que) e monitoradas (será que o aluno aprendeu o que eu queria ensinar?)

Eu estudo políticas educacionais, não métodos de ensino, mas de alguma forma, óbvio, esses assuntos estão relacionados. Há políticas que estimulam e facilitam métodos de ensino que funcionam, que já foram estudados, comprovados e melhorados em centros de estudo fora do Brasil (infelizmente nós aqui não acompanhamos essas pesquisas…o interesse está mais na Sociologia “combativa e denunciadora” da educação que na didática), e há políticas que estimulam o que (fora do Brasil já se sabe) não funciona. Normalmente essas políticas no Brasil são as mais populares entre as famílias (e eleitores, sem que sejam eficazes – o que faz delas, populistas)

Nos últimos dias, apenas por coincidência, tive conversas pessoais sobre educação, com amigos e pessoas da família, ou seja, a análise racional das políticas que faço profissionalmente se conectou com o meu emocional, pois estávamos falando sobre exemplos de abordagem pedagógica que funcionam para fazer os alunos aprenderem. Essa conexão é fundamental para manter o alinhamento moral entre o meu objeto de estudo e recomendações e meus interesses pessoais. O que desejo para pessoas com quem tenho conexões emocionais também desejo para as pessoas que não conheço, atendidas no setor público da educação. Infelizmente, a maior parte delas em contextos educacionais muito desfavoráveis em relação aos que estão as pessoas da minha família e relações sociais. Nesses contextos, o cuidado com a estruturação deve ser redobrado.

Mas as mudanças de políticas públicas nessa direção (da estruturação e planejamento) não são populares. Ao contrário.

Vou dar três exemplos de 3 pecados pedagógicos mortais que abundam no contexto brasileiro, pois há amplo respaldo das famílias em deixar correr solto – dá menos trabalho acompanhar a automação de alguns aprendizados. Então é melhor combinarmos que são formas antiguadas e superadas de fazer os alunos aprenderem. A pesquisa educacional e da psicologia cognitiva mostra justamente o contrário.

  1. DECODIFICAÇÃO – A palavra decodificar, ou seja, ler letra a letra, sílaba a sílaba, por partes, para depois conseguir ler uma palavra completa foi banida do ambiente educacional brasileiro. O que foi apenas um equívoco, uma moda passageira, rapidamente refutada pelas pesquisas – ler as palavras inteiras antes de aprender as letras e fonemas – aqui virou lei. Conhecer os fonemas, fazer a correspondência entre fonemas e grafemas (letras ou grupo delas) para depois passar a ler as palavras foi invertido.

Assim, não se alcança a fluência leitora, outro palavrão por aqui. A fluência não é perseguida pelos educadores, sua progressão não é medida e os alunos saem do sistema educacional sem entender o que leem porque não dominam essa fluência leitora. FLUÊNCIA É EXATAMENTE O QUE PERMITE A COMPREENSÃO DO TEXTO LIDO.

2. TABUADA – Aprender a tabuada de cor, para poder fazer conta de cabeça, é outro bicho Papão. A filha de uma amiga, que dá aula particular de recuperação para alunos das melhores escolas de São Paulo, me disse: os alunos vão mal em Matemática porque não sabem fazer as 4 operações de cor! O que ela diz é respaldado pelas pesquisas de como os alunos aprendem. Uma reportagem no jornal inglês The Guardian sobre o assunto traz várias sugestões sobre como motivar as crianças a decorar as tabuadas. Uma delas é o velho bic-bic para adivinhar o futuro das crianças transformado em advinhas de tabuada.

3. DECOREBAS EM GERAL – Decorar alguns conteúdos como poemas, trechos de obras, listas de verbos e dicas para reconhecer os “por + ques” também é super mal visto por educadores ditos modernos. Dou o exemplo da conjugação de verbos irregulares. É muito comum se conjugar errado o Subjuntivo, mesmo no presente, dos verbos irregulares. Por exemplo, por, medir, fazer.

que eu ponha, meça, faça etc.

Para este fim, decorar lista e a conjugação de verbos irregulares, dou uma mãozinha indicando o link:  https://www.conjugacao.com.br/verbos-irregulares-no-portugues/

2 Respostas

  1. Raul Correa Barcelar | Responder

    O uso icorreto do subjuntivo se dá por puro preconceito dos sudestinos. Basta você falar corretamente e será chamado de “bahiano” como se ser bahiano fosse um defeito. Só os formadores de opinião desta parte do país podem mudar isso, a começar pela imprensa.

  2. Joao Batista Oliveira | Responder

    Ilona

    tudo que você diz (com muita propriedade) no seu texto de hoje é o que nós fazemos há mais de 10 anos nos programas do IAB.

    Quando oportuno mencione nosso trabalho – inclusive temos um estudo recente comprovando o impacto positivo de nossa tabuada (software)

    Um abraço

    João

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